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Arquitetura
e Informação
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| Gomes, S. H. T. Arquitetura e Informação. Revista Assentamentos Humanos, Marília, v4, n. 1, p25-38, 2002. | ||||||
| Abstract | ||||||
| The constant efforts to make agile and structured information available to all areas of scientific knowledge has given undeniable support to the development of our society, especially in the areas connected to technical-cultural production. In the area of architecture, the increased demand for information created in these past years, together with the lack of a strategic plan to enable the dissemination of the information, has resulted, in most cases, in the incorrect destiny of the principle transmission channels of information in this area. | ||||||
| Key
Words: Dissemination of information, architecture and information. Palavras-Chave: Disseminação da informação; informação e arquitetura. |
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| 1 Mestre em Ciência da Informação - UNESP - Campus de Marília. Prof. da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - UNIMAR - Universidade de Marília. | ||||||
| Introdução | ||||||
| Planificar a atuação da informação na área da Arquitetura, aparentemente é tarefa ainda muito pouco exercida por arquitetos, comunicadores ou cientistas da informação. A maneira recente como tem-se desenvolvido a recente produção científica no país, no âmbito da informação, e mais especificamente, com os reflexos das novas tecnologias da informação junto à Arquitetura , parece até agora ter gerado pouco volume de produtos informacionais nesta área de atuação . Por outro lado, a interatividade de todos os campos do conhecimento científico tem aberto um caminho enorme de novas possibilidades de investigações, propiciando uma revolução estratégica na área da informação. | ||||||
| Abordagem Histórica | ||||||
| Uma
visão histórica, ainda que extremamente sucinta, destes contínuos
avanços para disponibilizar a informação na área
da Arquitetura, de maneira articulada, mostra-se muito útil. Alguns
aspectos históricos, envolvendo agentes estratégicos no processo
de mudança, representam a prova marcante desta atitude. Por exemplo,
por volta do ano de 1435, Gutemberg , na cidade alemã de Mainz, teve
a idéia original de gravar em pedacinhos de madeira as letras do
alfabeto; em seguida, executando um trabalho como de quebra-cabeça,
os justapôs para formar palavras, linhas, frases e páginas.
Este processo significou inventar a imprensa, revolucionando todos os padrões
existentes do mundo de então. Logo, as portas se abriram para as
obras poéticas e outras, e os escritores, restritos ao âmbito
dos intelectuais, puderam se dirigir às massas populares. 0 Período Renascentista ( século XV ) vê a reelaboração das relações projetuais no plano de uma radical renovação da figura do arquiteto dentro do contexto social. A Arquitetura torna-se agente atuante na sociedade de então, atribuindo-se a ela, uma dimensão cultural importante, embasada num contexto técnico. A profissão, integrada com a arte renascentista, converte-se pouco a pouco em profissão projetual, cujas normas devem ser estabelecidas e os tratados técnicos definidos como diretrizes do arquiteto. Teorias de simetria, das relações matemáticas, da proporção áurea e da harmonia das medidas humanas, começam a ser desenvolvidas e difundidas. Mas de certa forma, neste período e na Arquitetura, como diz Gregotti (1978), quase inexiste a disponibilização da informação localizada em bibliotecas . A construção de conceitos e teorias , entretanto, marca o desenvolvimento dessa época tão rica que foi o Renascimento. O Maneirismo ( século XVI ) propõe o conceito de imagem para a Arquitetura , a partir da descoberta da dimensão psicológica da arte. Os arquitetos se esforçam em codificar a sua própria tradição lingüística, na mais impressionante construção de tratados de todos os tempos. O Maneirismo faz emergir a questão da reconstrução do conhecimento científico arquitetônico, colocando em execução as novas descobertas de investigações na Arquitetura. A história transformou-se em um campo propício de experiência. O espírito de debate e transformação pauta a atuação dos principais arquitetos e denota o importante período que é o Barroco ( final do século XVII ) : Borromini, Guarini, Vittone, são exemplos de arquitetos que inventaram o sistema geométrico-construtivo e promovem a sistematização da informação, formando assim na sociedade, algo próximo de um plano de disseminação informacional mais apurado. O Neoclassicismo ( século XVIII ) descortina outro importante período de intentos de disseminação da informação na Arquitetura, fixando bases e parâmetros relevantes na época. O grupo de textos escritos, entre 1760 e 1762, por Winckelmann, Lessing, Mengs e Piranesi; aqueles de Milizia e de Lodoli, escritos entre 1781 e 1786, e os dos arquitetos da Revolução Francesa, ao início do século XIX , surgem como exemplo disto. Assumem-se assim, características teóricas bastante relevantes das atividades da Arquitetura junto à sociedade. O papel conciliador destas informações conceituais desenvolvidas por estes arquitetos e compilada em forma de textos teóricos, contribui em muito para a estruturação de uma Arquitetura que necessitava firmar o seu papel verdadeiro na construção até de um mercado de trabalho mais estruturado. A Manualística Oitocentista tem em mira a missão de catalogar o esforço empregado ao afrontar o problema das novas tipologias das técnicas construtivas e o seu domínio. Por isso, propiciar o manual de projetação era uma necessidade técnica e profissional; o exercício da profissão tornava-se cada vez mais difícil, no domínio de sua extensão de atividades, e demanda uma unidade teórica para além de sua eficiência técnica. Umas das atitudes que intentaram para reassumir, controlar e sobretudo difundir uma série de experiências cada vez mais complexas tecnológica e tipologicamente, foi a edição do Précis des leçons d'architecture, de Nicolas Duram. Neste período, ainda surge o problema da transmissão pedagógica, extrapolando o sistema de ateliê. A escola, de certa forma, tornou-se a codificadora dos parâmetros e dos instrumentos de projetação na Arquitetura. No final do século XIX, com o fenômeno do Art Nouveau, assisti-se a uma imprevista transformação no campo conceitual da Arquitetura. Uma nova palavra de ordem regula os aspectos projetuais arquitetônicos : a qualidade. Escritos teóricos procuram sistematizar tais postulados, traçando um novo perfil para este campo do conhecimento, a fim de superar as barreiras de gêneros estilísticos a que estava ligado o papel do arquiteto de 20 anos atrás. O interesse pelos instrumentos tecnológicos e pela técnica desponta como o grande fio condutor da Arquitetura do final daquele século. A informação já está muito mais apurada e disponibilizada, principalmente nos recém criados Centros Tecnológicos de Engenharia e Arquitetura, para onde convergiam os principais arquitetos da época. O começo do século XX foi marcado por uma profunda transformação na postura dos arquitetos : era o limiar do mundo da vanguarda. Entre 1910 e 1930, a cultura dos arquitetos estruturava-se baseada em alguns grupos, como o neoplasticismo, o surrealismo, o futurismo, as vanguardas soviéticas e o purismo. Estas correntes apoiavam-se na tentativa de proposta de uma linguagem nova para uma sociedade igualitária, onde o conceito do academicismo deveria ser abolido. A opção de novos materiais e novas técnicas propiciou a percepção sensível de uma nova idéia de espaço. Podemos afirmar que novos meios de representação e novas tecnologias de comunicação foram inventados então. Outro momento importante para a ciência em geral e que atinge a Arquitetura foi a descoberta oficial da fotografia, no ano de 1839, por Daguerre, que aplicou seus conhecimentos fotoquímicos para reproduzir as imagens de um objeto. O mais importante para este avanço foi a passagem de todas as experiências visuais, humanas e artísticas, do plano restrito da aristocracia, para o plano mais acessível de pessoas que não podiam pagar um pintor para que as retratassem ou não podiam viajar para estudar as obras pictóricas e escultóricas mais importantes. Portanto, quando no último decênio do século XIX, a reprodução de fotografias se tornou comum, isso facilitou sua difusão em massa; os fotógrafos então tomam o lugar dos desenhistas e pintores. O importante passo dado pela fotografia era o de reproduzir fielmente tudo que existe bidimensional e tridimensionalmente na Arquitetura; ou seja, todo o edifício. A fotografia representou o principal suporte de comunicação, surgido nesta época, desenvolvendo estreita ligação com a Arquitetura ( Montaner, 1987, p.146 ). Graças à fotografia, os edifícios converteram-se em imagens para as revistas, divulgando e disseminando obras que ainda não tinham sidos explicitadas à humanidade; a fotografia trouxe um novo sistema e uma nova maneira de transmissão de imagens. Zevi (1994, p.50 ) destaca a contribuição da fotografia neste processo de comunicação dos signos arquitetônicos. Neste sentido, a fotografia veio resolver grande parte do problema de representação em três dimensões na Arquitetura, retratando o edifício em seus aspectos tridimensionais, menos a sua essência espacial, que diz respeito ao espaço interior, o espaço psicologicamente vivenciado apenas pelo usuário. Entretanto, podemos dizer que a fotografia capta o edifício de um único ponto de vista, estaticamente. Como diz Zevi (1994,p.50 ) : "cada fotografia é uma frase separada de um poema sinfônico ou de um discurso poético, cujo valor essencial é o valor do conjunto." Outro estágio importante no processo de representação dos espaços arquitetônicos , foi a descoberta e a utilização da cinematografia. Esta aplicação acabou, em certo sentido, resolvendo o problema colocado pela quarta dimensão, que era ampliar a "vivência" espacial do edifício. De um modo relativamente rápido , o crescente acúmulo de informações gerados na área da Arquitetura, desencadeados à partir da década de 30, produziram efetivamente um turbilhão de informações. Textos teóricos, tratados de Arquitetura, revistas informativas, a reprodutibilidade da fotografia, anais das confederações de classe, a pesquisa científica, tudo isso colaborou para a democratização da Arquitetura, por meio da geração do conhecimento e da informação. As escolas de Arquitetura também desempenharam papel importante no processo de geração e de apropriação da informação, funcionando como pólo de atração dos arquitetos e dos pesquisadores. No final dos anos 60, surge outro suporte, como importantíssimo canal transmissor das informações na Arquitetura : o vídeo. A carga simbólica e expressiva que ele proporciona, estabelece uma relação nova na dialética homem-Arquitetura. Cano (1987, p.56) se expressa sobre esta nova atividade surgida :
Com o surgimento da utilização do vídeo na Arquitetura, as novas tecnologias informacionais começam a desempenhar o seu papel produtivo na esfera arquitetônica. Aos poucos, estas alterações começam a ser sentidas na Arquitetura , tendo como fase inicial o final da década de 70. Configurando-se um contínuo progresso experimental e técnico das artes, como a poesia, a literatura, a pintura, a escultura e a música, a humanidade presenciou a difusão dessas manifestações culturais de uma maneira extremamente impactante e reveladora do conhecimento científico. Neste contexto de desenvolvimento, conforme destaca Zevi ( 1894, p. 30 ), a Arquitetura manteve-se isolada em todo o período do século XX :
Esta afirmação contem seu lado de veracidade. A Arquitetura sempre manteve este lado "isolado e compartimentado" ao longo da história técnico-cultural. Todos os avanços tecnológicos arquitetônicos sempre tiveram bastante dificuldade de serem disseminados e divulgados em todos os meios de comunicação. A representação do espacial refugiara-se na maioria da vezes, na esfera dos pequenos círculos eruditos. O grande público sempre teve muita dificuldade de compartilhar deste aspecto revelador da Arquitetura. A representação dos edifícios, que encontramos na maioria das histórias da Arte e da Arquitetura, serve-se de plantas, elevações, cortes ou seções e fotografias e esta representação sempre foi de difícil compreensão para o grande público. Gregotti ( 1978,p. 12 ) explica este fato e defende que a Arquitetura apresenta-se numa situação um tanto especial. Sua qualidade, enquanto ato artístico de autoconstituir-se como significado espacial e territorial, não se limita simplesmente ao fato de ser representada por um conjunto de desenhos. Conforme esta visão, o projeto arquitetônico, constituído de plantas e elevações, não é ainda Arquitetura, mas tão somente um conjunto de símbolos com os quais tentamos fixar e comunicar nossa intenção projetual. Essas notações convencionais são abstratas e não autônomas de uma imagem que tentamos formar por meio de um projeto. No caso do projeto de Arquitetura, este conjunto de símbolos e notações desempenham papel de importância na ação significativa. Neste linha de raciocínio, esses elementos de representação se fazem necessários, pois já validaram um discurso legítimo de produção arquitetônica no processo de criação. A Arquitetura tem sido definida como maneira de organizar o espaço; dessa maneira, decorrem os conceitos de organização e de espaço e, sobretudo, as conseqüências das relações entre eles. Organizar supõe estabelecer um sistema de ordem entre elementos que naturalmente apresentam-se desordenados. Toda organização exige uma mediação, um elemento ou forma. Exige um signo que demonstra e indica a forma de organizar; portanto, toda organização é lógica, é linguagem produzida através de signos, que por sua vez são representações desta organização. Em conseqüência, essa "tradução" faz com que se entenda a linguagem da Arquitetura como submissa aos veículos expressivos usados, no presente e no passado, para a comunicação das soluções projetivas; assim, passa-se do croqui ao desenho técnico, da maquete aos recursos infográficos. Nos anos 80, esta formulação começa a ganhar mais espaço, chegando à sua consolidação finalmente nos anos 90 . O suporte digital na Arquitetura já é uma realidade. A informação agora não só configura sua atuação nos suportes convencionais, mas se estabelece nos novos suportes informáticos. Lévy (1998, p.67 ) destaca esta mudança dizendo :
A Arquitetura, estudada como linguagem, é fluida e mutante como a cidade e essa mutação caracteriza o repertório cultural que transita do emissor arquiteto ao usuário-receptor, para fazer conviver quantidade e qualidade de informação; é , sobretudo para ambos, uma constante exigência de escolha entre alternativas. Essa relação escreve uma história do ambiente construído, através do processo de comunicação que se estabelece entre a intervenção cultural do arquiteto e o modo como atinge usos e valores do espaço. O estudo da Arquitetura, como linguagem, propõe o estudo do espaço construído e habitado nas suas representações e no diálogo histórico que estabelece entre maneiras de pensar e transformar o espaço. Entender a Arquitetura como linguagem é assumi-la como instrumento de intervenção cultural, interagindo arquiteto e usuário. |
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| Informação e Arquitetura | ||||||
| Informação
e Arquitetura - esses são os dois binômios básicos do
presente trabalho. Nestas duas linhas, consolidamos a trajetória
prevista para o encaminhamento de uma proposta. Procuramos tratar dos elementos
básicos que norteiam as duas ciências, atendo-nos naturalmente,
a algumas as definições. Por conseguinte, a escolha se deu
sempre atrelada ao processo informacional como um todo. Depois de definidas
e conceituadas Informação e Arquitetura, partimos para o entrelaçamento
destes dois conceitos. A constituição paulatina de uma imensa rede de comunicação modificou totalmente a nossa relação com o espaço e o acesso à informação tornou-se uma atitude fundamental em nossa atividade humana. Até bem pouco tempo atrás, seria difícil pensar que o processo cumulativo desta revolução informacional poderia de, uma certa forma, influenciar a Arquitetura e o espaço urbano. Orciuoli ( 2000 ) abre uma reflexão sobre a Arquitetura inserida num cenário que pode ser chamado de globalizado, imáterico ou digital, sugerido pelas novas tecnologias informacionais. Portanto, um olhar oblíquo do estudo das práticas urbanas e da Arquitetura, em processos de globalização e informatização vividos pela experiência contemporânea, estabelece novos conceitos e modos de vida, a partir da revolução tecnológica. A miniaturização, a desmaterialização e a aceleração dos fluxos de informação são fenômenos atuais que fazem com que o suporte físico tenha cada vez menos importância. Novas possibilidades do "ser e estar" nos levam a ambientes regidos pela cibernética e pela virtualidade. Lévy (1998) aborda esse tema, dizendo que : "...o armazenamento, a transmissão e o processamento automático das informações digitais interpõem uma mediação entre os sujeitos humanos e seu tecnocosmo." Mas , de que maneira percebemos estas e outras alterações, em nosso dia-a-dia ?. Algumas modificações são realmente evidentes e trazem, à nossa vista, elementos impressionantes e paradigmáticos de nossa vivência urbana. A invasão dos computadores pessoais em nossas atividade bancárias ou a intercomunicação entre as pessoas por meio da Internet geram, a cada instante, novas informações que são incorporadas em toda essa rede mundial de comunicação. Esclarecendo sobre estas modificações, Novak ( 1999 ) nos diz :
Estamos vivendo a civilização da imagem e do audiovisual. A leitura convencional tende a diminuir entre as novas gerações, verificando-se que o tempo de assistir à televisão ou jogar um videogame não pára de crescer. São mudanças significativas ? A superficialidade dos relacionamentos humanos tende a aumentar, produzindo uma geração da imagem e do espetáculo. Mas, outras modificações são bastante sutis e , na maioria das vezes, são passadas despercebidas pelos nossos olhos e por outras formas de percepção. O processo de digitalização tem afetado consideravelmente todos os tipos de mídias tradicionais, como o papel, as artes gráficas, o rádio e a televisão, e tem feito com que estes elementos migrem rapidamente para a mídia digital, capaz de portar os mais variados suportes informacionais. A tecnologia da informação tem permitido esta digitalização em considerável medida, junto aos artefatos culturais, provocando no âmbito das manifestações culturais, um turbilhão de mudanças. É preciso atentarmos para a definição que Negroponte (1996, p. 234) faz deste processo : "digitalizar significa transformar uma determinada informação em seqüência ordenada de bits, capazes de serem interpretados e reproduzidos pelos computadores." Quando utilizamos a informação contida em um livro, o suporte físico deste funciona como essencial para que a informação seja de certa forma manipulada, armazenada ou comercializada. Ao digitalizarmos, deflagramos um processo onde o computador funcionará como um mediador entre o usuário e a informação. A informação digitalizada pode então assumir a idéia do não território , de um lugar não definido no espaço, podendo ser distribuída via redes telemáticas, como por exemplo na Internet, onde a informação pode ser compartilhada de forma global. Lévy ( 1996, p. 49) evidencia esse processo, dizendo : "(...) a digitalização estabelece uma espécie de imenso plano semântico, acessível em todo lugar , em que todos pudessem ajudar a produzir, a dobrar diversamente, a retomar, a modificar, a dobrar de novo..." Outro aspecto importante da digitalização, é que ela muda a nossa perspectiva quanto à elaboração do produto cultural produzido pela sociedade, na medida em que permite a replicação digital, desaparecendo o conceito de cópia e origem. A reprodutibilidade técnica passa então por um processo transformativo, tendo na desterritorialização seu ponto central. A digitalização está colocada apenas como um elemento importante em todo este movimento maior que é a virtualização. Neste sentido, temos uma definição de Lévy ( 1996, p. 70 ), quanto aos seus sujeitos mais importantes na virtualização do espaço e das coisas :
Os processos informáticos representam, como técnica, o principal meio de potencialização do virtual ou da virtualização. A informática permite a virtualização da inteligência, porque faz com que ações complexas sejam digitalizadas e reproduzidas. Podemos então dizer que a digitalização desvincula a informação da sua mídia tradicional, desvinculando a "inteligência" da personalidade e eliminando o sujeito desterritorializado. Outro elemento bastante importante, que conecta todos esses conceitos pertinentes ao processo de virtualização na sociedade, é o ciberespaço. Como nos afirma Orciuoli ( 2000 ), a partir da popularização do termo ciberespaço, com a publicação da novela ciberpunk Neuromante , escrita por William Gibson em 1984, o sufixo ciber entrou no vocabulário contemporâneo descrevendo-o como um universo entendido mais além de uma simples questão física, estabelecendo inter-relações com as formas de conduta da sociedade digital, que se convencionou alcunhar como ciberespaço. Segundo descreve Gibson, é o mundo criado e nascido da justaposição entre a mente humana e a cibernética. O artigo remonta aos princípios da cibernética, descrito por seu criador, Norbert Wiener. Kybernetes, em grego, significa timoneiro ou governador, e foi aplicada pela primeira vez, em 1948, à teoria dos mecanismos de controle da mensagem. Nesta linha de pensamento, existe um "local" legítimo, democrático, onde há um consenso dos virtuais. Este "lugar" é o ciberespaço. A demonstração deste conceito de ciberespaço não é fato recente. A criação das primeiras redes de telégrafos, fazendo a primeira interface com o homem e suas atividades, fundamenta os primeiros passos para a dimensão cultural deste espaço. Lévy ( 1996, p.113 ) define o ciberespaço da seguinte forma :
O traço contundente deste ciberespaço se refaz em todos os níveis culturais, artísticos, afetuais e econômicos. Sabemos que as alterações radicais nos mais diversos referenciais perceptivos e estéticos provêm de um fenômeno bastante complexo em que se insere a cibercultura. Neste sentido, Virilio ( 1993, p. 15 ) esclarece, de maneira clara e fecunda, a relação estreita que se estabelece entre a informação e a Arquitetura dizendo :
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| Conclusão | ||||||
| Uma
questão que se apresenta nesse novo quadro, descrito acima : de que
forma o profissional de Arquitetura e Urbanismo tem se posicionado frente
às novas tecnologias informacionais, na aplicação direta
de tais inovações ? Ou ainda, trazendo para o campo das questões
relacionadas ao processo de disseminação da informação,
pergunta-se : quanto e de que maneira o processo de disseminação
da informação, na área da Arquitetura, tem-se mostrado
satisfatoriamente receptivo às novas tecnologias informacionais,
diante da velocidade de produção e transferência da
informação no mundo moderno? Diante destas questões, é válido dizer que os profissionais de Arquitetura, têm-se posicionado a favor da utilização das novas tecnologias informacionais no âmbito da Arquitetura; mesmo de maneira modesta, têm acrescentado novas responsabilidades e habilidades às tarefas que envolvam as conexões significativas inovadoras. Porém, o maior desafio, encontra-se na falta de articulações estratégicas de disseminação da informação, na área de Arquitetura, que, a par dos mecanismos viabilizadores de transferência de informação, parecem não qualificá-la como ferramenta de desenvolvimento a todos os usuários. |
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| Bibliografia | ||||||
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CANO, Eduardo. Quatro notas sobre vídeo e arquitetura. Projeto,
n.105,p.146-147, nov.1987. DUARTE, F. Arquitetura e tecnologias de informação. São Paulo: EdUNICAMP, 1999. 197 p. GREGOTTI, Vittorio. Território da arquitetura. São Paulo, Perspectiva,1975. LÉVY, P. A ideografia dinâmica. São Paulo: Loyola, 1998. 228 p. MONTANER, Josep M. Quatro notas sobre vídeo e arquitetura. Projeto, n.105,p.146-147, nov.1987. VIRILIO, P. A bomba informática. São Paulo: Ed. Estão Liberdade, 1999. 160 p. ZEVI, Bruno. Saber ver a arquitetura. São Paulo, Martins Fontes, 1996. |
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